Os olhos dos indianos brilham!!! (por Andrea Ribeiro)

 

Minha curiosidade pela Índia nasceu na infância quando assistia ao desenho animado “As aventuras de Jonny Quest”, que era o personagem principal da história e filho do Dr. Quest, um cientista que trabalhava para o governo britânico em prol do planeta.

O Dr. Quest adotou um menino indiano chamado Hadji, que vivia de turbante branco e virou irmão adotivo de Jonny Quest, que aprendeu em seu país a fazer mágicas de desaparecer objetos, o que para mim era um mistério total….e a cada aventura me despertava mais fascínio e curiosidade por este país tão exótico.

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Aos 20 anos, decidi morar em Londres, para estudar ingles e trabalhar, onde me deparava com indianos em cada esquina. Mas eu tinha um propósito, juntar economias e ir para a Äsia, o que consegui e parti com uma amiga para a viagem mística e fascinante rumo a Índia, Nepal e Thailandia.

Desembarcamos em Delhi, capital da Índia. Tudo era novidade e aos poucos eu me perdia nas cenas inusitadas, marcadas por contrastes, como os palácios de marajás e edifícios recém-construídos. País extremamente colorido, as cores me inspiravam, anestesiavam, trazendo sensações, emoções e sentimentos, que estimulavam todos os meus sentidos. No bom sentido, pirei na Índia!

Mulheres vestidas de saris, animais (vacas, camelos e elefantes) disputando o asfalto, um trânsito caótico, onde carros, motos, rikishaw, tuk tuk… entrelaçavam-se no pouco espaço das ruas.

De trem partimos para Agra e Rajastão (Jaipur, Udaipur, Jodhpur, Pushkar). Compramos tickets em cabine da classe economica, pois tínhamos pouco dinheiro. O turismo praticamente havia começado e a infra-estrutura não era como é agora.

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Esperando o trem e fazendo um social com uns gringos. Olhem a curiosidade dos indianos.

Iniciamos a viagem sozinhas, nos acomodamos na cabine que não tinha portas e não sabiamos que nessa classe aquele lugar não seria privativo. Ao acordar deparamos com vários rostos, com os olhos mais curiosos e brilhantes nos olhando. Eram homens, mulheres e crianças, , com os olhares mais docéis e brilhantes que eu já havia visto. Eles se espremiam, sentados nos maleiros, em cima de nossas cabeças e na pontinha do banco, próximos aos nossos pés, como se numa atitude de não querer nos incomodar. Tempos depois refletimos que talvez aqueles lugares que deitamos, seriam os lugares deles sentarem mas que, com sua humildade, nos cederam e velaram nosso sono.

Foi uma sensação surreal!

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Da esquerda para a direita eu, Evelyn e Giuliano ( um italiano que conhecemos) no trem

Em Agra, deparei-me com o Taj Mahal, Até hoje sinto a grande emoção vivida quando transpassei o portão e vi o palácio mais famoso do mundo construído em nome de um grande amor. O grande imperador Mongol Shah Jahn decidiu construir o monumento em homenagem à sua esposa favorita, Mumtaz Mahal, que faleceu em 1631, após o parto do decimo quarto filho. Mais de 20 mil operários trabalharam na obra, ao longo de 12 anos de sua construção. Éramos praticamente nós e um monte de indianos coloridos e felizes.

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Ao viajar para a Índia, você deve preparar seus olhos para enxergar além do superficial. Você vai ver a pobreza, caos do transito mas também verá olhos mais brilhantes e alegria sem igual.

Depois seguimos explorando as cidades incríveis do Rajastão: Jaipur (a cidade rosa), Jodhpur (a cidade azul), Udaipur, (cidade dos lagos) e o magnetismo de Pushkar em torno de um lago sagrado.

Continuamos viajando por 45 dias e visitamos Bombay, Goa, Mumbai, Bangalore, Madurai, Madras, Puri, Calcutá e Varanasi.

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Eu a direita e uma turma que conheci no trajeto

A Índia é a mais forte das lições de vida, um lugar que nos muda para sempre, que nos faz analisar a nossa realidade e perceber que temos tudo, mas que esse tudo não é fundamental para nos trazer felicidade, pois os indianos tem tão pouco e são felizes.

A Índia mexe com todos os seus sentidos, ela precisa ser vista, tocada e sentida.

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eu em 2015, na Índia, durante o Holli

O que tirei de lição? Muito, mas pouco relacionado com o que esse povo tem para dar. Por isso voltei mais cinco vezes e estou com viagem programada para 2017 e mesmo 30 anos após a primeira visita, ainda posso me deparar com a mesma ternura e os mesmos olhares brilhantes e curiosos como da primeira vez. Isso é a incrível Índia.

Andrea Ribeiro (Fotógrafa)

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Fotos que tirei em viagens à Índia

Motivos para viajar para Índia

Se passou pela sua cabeça que viajar pela Índia seria uma loucura, vamos listar alguns motivos que o farão analisar que a Ásia pode ser seu próximo destino inesquecível.

Animada, exótica, cultural e colorida.  Se você está em busca de um destino absolutamente intenso para suas próximas férias?  Encontrou..

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1. Varanasi

É um dos destinos mais sagrados da Índia . Varanasi significa Porta do Céu, o local que dá acesso à vida eterna, o último e mais desejado estágio da existência para a religião hindu.

Fundada há cerca de 2500 anos, Varanasi é o retrato da Índia em estado bruto, uma cidade onde encontra toda a religiosidade no máximo esplendor, celebrada em cerimônias lindíssimas a beira do Rio Ganjes.

Todos dias, os indianos de Varanasi fazem uma cerimônia em homenagem ao rio Ganges, conhecida como Ganga aarti, que acontece pouco depois do pôr-do-sol, por volta da sete horas da noite.

A Índia, sempre a “mãe” Índia revelando sua doce face da devoção. Uma dessas faces é o Aarti , palavra  hindi ,  também escrita Arathi, Aarthi (do sânscrito), um importante ritual  religioso Hindu de adoração, uma forma de puja (oferenda), no qual a luz de lamparinas (deepas) com pavios embebidos em ghee (manteiga purificada) ou a cânfora é  oferecida as águas do Ganges para mãe Ganga, nome pelo qual é chamado o Rio Ganges que os hindus consideram  uma divindade(a Deusa Ganga).

2. Mercado de Varanasi

Marcado pela confusão típica dos centros de atividade das cidades indianas, numa simbiose entre um delicioso encanto e o mais puro caos. Lassis, chamuças, sucos de fruta, bancadas de verduras, vendedoras de flores e de artesanato formam um quadro cromático que não mais esquecerá.

3. Apreciar a arquitetura histórica

Índia tem um patrimônio arquitetônico de grande valor, muitos monumentos são declarados Patrimônio Mundial pela UNESCO. Alguns deles: Taj Mahal, o Forte de Agra, o túmulo de Humayun, arte rupestre em Bhimbetka, o grande monumento Budista em Sanchi, os templos de Khajuraho cavernas, Ellora, o parque arqueológico Champaner Pavagarh, os monumentos de Hampi, templos de Chola, igrejas e conventos de Goa entre outros.

4.Fazer compras

Índia é um lugar especial para fazer compras. A cultura artesanal rica para desfrutar e obter jóias, arte artesanal, área têxtil -especialmente roupas trabalhadas – em seda, tapetes, especiarias, pedras e gemas preciosas.

DLF EMPORIO MALL Todas as tops labels internacionais reunidas em luxuosas alamedas. Mas nossos olhos estavam ávidos a procurar produtos indianos, ninguém queria saber de marcas, e descobrimos o último piso do shopping, cheio de lojas locais, roupas, acessórios, jóias  JANAVI foi a loja que mais compramos, pashminas super exclusivas, echarpes lindíssimas, roupas incríveis. Mas este shopping só vale a pena depois de ir nas lojas abaixo e se sobrar tempo.  Ele fica mais afastado. Endereço: 323, Nelson Mandela Marg, New Delhi. http://www.dlfemporio.com

KHAN MARKET Um mall a céu aberto com lojinhas incríveis para todos os gostos, pra mim o lugar mais legal para compras em Delhi. Aqui, algumas dicas das lojas mais legais, mas vale percorrer todo o mall,tem muita coisa bacana para garimpar. Endereço: Rabindra Nagar. www.khan-market.com

Good Earth, essa loja de dois andares de coisas pra casa é um sonho, o difícil é escolher coisas fáceis de transportar , dá vontade de trazer tudo e mais um pouco.No segundo andar você encontra roupas super transadas e descoladas. www.goodearth.in

Fabindia Roupas em algodão e coisas pra casa, destaque para as toalhas de mesa, almofadas, jogos americanos e um mundo de coisas lindas. www.fabindia.com

SANTUSHTI SHOPPING ARCADE Outro mall a céu aberto, menor que o Khan Market, mas com lojinhas muito especiais,  em duas horas dá para percorrê-lo todo. Fica na área militar da cidade, vá com um carro que te espere, o acesso para táxis é bem chapinho. Endereço: Chanakyapuri.

Dicas 

É nessa hora que o ocidental mais erra. Não se pode, é claro, cair na tentação precipitada de mostrar interesse logo de cara pelo produto que quer levar. A negociação para o indiano é como uma dança: não se executa o grand finale sem antes ensaiar alguns movimentos.

Antes de abordar o objeto desejado, pechinche um descansa-copos, um guardanapo ou um corta-unhas. Só depois é hora de partir para o prato principal, o clímax da negociação, o que realmente quer levar para casa.

Esse é o momento mais delicado, pois é considerado heresia pelo código de conduta local simplesmente perguntar o preço e levar o objeto embora. Primeiro porque o produto estará duas, três, dez vezes mais caro do que o normal. Segundo porque o vendedor vai se sentir ofendido. Não negociar é mais do que jogar água no chopp do indiano. Significa que ele poderia ter cobrado a mais pela mercadoria.

Porém, também é falta de educação oferecer um preço muito baixo. Nesse caso, ele ficará ainda mais ofendido, ao pensar que seu produto foi avaliado como de má qualidade. Não existe fórmula. Mas oferecer a metade do valor pedido é o comportamento mais aceito pelas normas de etiqueta da Índia.

Após cerca de duas horas, cinco ou seis chais e um soco no estômago da paciência, você sai da loja feliz por ter pago “super barato” por um produto “que custa vinte vezes mais caro no Brasil”. Enquanto isso, o indiano-vendedor sorri por ter vendido a mercadoria por, pelo menos, o dobro do que havia planejado.

Acompanhe mais informações no próximo POST

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